sábado, 16 de abril de 2016

NEW YORK TIMES:MESMO SENDO HONESTA, DILMA PODE SER AFASTADA POR CRIMINOSOS

imagem O maior jornal do mundo, The New York Times, publicou uma reportagem com chamada de capa que destaca como é absurdo o processo de impeachment que corre no Brasil contra a presidente Dilma Rousseff.

Nas palavras da publicação, um processo conduzido por parlamentares corruptos, dominado por abusos aos direitos humanos, contra uma presidente que não é alvo de investigação alguma.

A matéria, assinada por Simon Romero e Vinod Sreeharsha, cita o próprio vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que assumirá o lugar de Dilma caso o processo seja aprovado no Congresso Nacional, como possível envolvido no esquema de corrupção da Operação Lava Jato.

Outros que recebem destaque, com direito a foto-legenda, são o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apontado como réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de ter recebido 40 milhões de dólares em propina. Além do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), outro defensor do impeachment, alvo de processos nos Estados Unidos por ter desviado mais de 11,6 milhões de dólares.

Pelo The New York Times, se o golpe passar, teremos a nova República dos bananas. Enquanto no Brasil a mídia familiar apoia o impeachment, o maior jornal do mundo denuncia um golpe absurdo. Confira aqui a íntegra da reportagem no site do NYT, em inglês. (247)

Jean Wyllys pede que STF proíba voto de Cunha em impeachment

 O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) entrou com uma ação nesta sexta-feira para que o Supremo Tribunal Federal (STF) determine que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se abstenha de votar no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo a Folha de S. Paulo, o deputado do PSOL indica em seu pedido ao STF que o voto de Eduardo Cunha fere o regimento da Câmara, que só prevê votação do presidente da Casa em casos de "apurações secretas ou para desempatar votações abertas, possibilidade inexistente, já que a votação do impedimento se dá por proporcionalidade.

Para Wyllys, ao anunciar voto publicamente, Eduardo Cunha "mostra nítida intenção de violar as regras regimentais". O ministro Celso de Mello vai relatar do caso.

Aliado de Cunha, 1º vice-presidente da Câmara muda opinião e votará contra impeachment

Deputado diz que ele e mais 12 parlamentares do PP serão contrários ao afastamento de Dilma. BRASÍLIA - Aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-AL), o 1º vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), afirmou nesta sexta-feira, 15, ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que mudou de opinião e votará contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo, 17. Até então, o parlamentar vinha declarando voto a favor do impedimento da petista.

VEJA EM TEMPO REAL QUEM VOTA CONTRA E A FAVOR DO IMPEACHMENT

“Eu e mais 12 deputados do PP vamos votar a favor da democracia e contra o golpe”, afirmou, sem elencar os outros parlamentares de seu partido que também votarão contra o impeachment. Segundo apurou a reportagem, o deputado mudou de voto para se opor ao grupo do ex-presidente da República José Sarney (PMDB), que tem sinalizado apoiar o impeachment. No Maranhão, o deputado é oposição a Sarney.

O 1º vice-presidente da Câmara disse não estar preocupado, neste momento, com a promessa de punição do PP aos parlamentares que não acompanharem a maioria do partido. A executiva nacional da sigla está reunida nesta tarde para fechar questão a favor do impeachment de Dilma. “Isso depois a gente resolve”, afirmou Maranhão.

Após Dilma reunir-se com governadores, Planalto diz que reverteu votos a favor do impeachment

 BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff comemorou na tarde desta sexta-feira, 15, a reversão de importantes votos como do primeiro-vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), um antigo aliado do principal algoz do governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Esse foi um dos resultados do trabalho do Planalto, em conjunto com seis governadores que desembarcaram em Brasília para ajudar o governo: Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, Camilo Santana (PT), do Ceará, Rui Costa (PT) Bahia, Waldez Góes (PDT), do Amapá, Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba e Wellington Dias (PT), do Piauí.

Dilma se reuniu com todos eles, além de vários deputados de suas bancadas. O resultado desta mobilização, de acordo com o Planalto, é que o governo terá até 30 votos a mais de deputados que mudaram de lado. O governo terá também pelo menos 20 deputados, a maioria candidatos a prefeitos, que se ausentarão do plenário no domingo durante a votação do processo de impeachment de Dilma. "O clima mudou no Planalto", assegurou um interlocutor direto da presidente, ao relatar que a aposta é "principalmente nas ausências".

O ministro-chefe do Gabinete pessoal de Dilma, Jaques Wagner, afirmou que "o reforço dos governadores surtiu efeito nas bancadas e ampliou nossa vantagem". Entre as idas e vindas de deputados e seus votos, na noite desta sexta, em uma de suas planilhas, o Planalto contava com 179 votos, sete a mais que o mínimo necessário para barrar o impeachment. Aos que iam ao seu gabinete, a presidente Dilma reiterava que tem os votos para barrar o impeachment e apresentava a sua planilha e anunciava: "ela (a planilha) é confiável".

ACOMPANHE EM TEMPO REAL O PLACAR DO IMPEACHMENT

Depois da reunião com Dilma, o vice-líder do governo na Câmara, Sílvio Costa (PT do B-PE) e o governador do Maranhão Flávio Dino (PC do B), também disseram que o governo tem mais do que os 172 votos necessários para barrar a admissibilidade do processo de impeachment, a ser votado no próximo domingo, 17.

"Temos convicção que teremos margem de votos para impedir 342 votos pró-impeachment", disse Dino. Já Sílvio Costa, afirmou que existem ainda 36 votos de deputados que estão indecisos, os chamados de "a trabalhar" nas planilhas do governo. "Estamos bem acima da margem de erro e hoje detectamos o desespero da oposição", afirmou.

Dino disse que só nesta sexta o governo conseguiu converter três votos no Maranhão que eram favoráveis ao impeachment, e outros três ou quatro do Amapá. "Chegaremos facilmente a 20 ou 30 votos modificados até domingo", afirmou. Mais cedo, a presidente se reuniu com os governadores da Bahia e do Ceará. "Os governadores do Nordeste estão confiantes que a Câmara manterá o jogo democrático", afirmou Dino.

O governador disse que a presidente Dilma está tranquila e firme, primeiro, segundo ele, porque não cometeu nenhum crime, e segundo porque o governo está seguro de que conseguirá barrar o impeachment. De acordo com Dino, o clima sobre a votação do impeachment melhorou nos últimos dias, com uma reversão da tendência pró-impedimento da presidente. "A suposta avalanche que haveria na direção do apoio ao impeachment não se verificou". Ele disse que outros governadores também estão ajudando o governo no trabalho de convencimento dos deputados e que esse esforço será intensificado nos próximos dias.

Varejo. Não só os governadores ajudaram na mudança de votos. A abertura dos gabinetes de ministros palacianos e da própria presidente Dilma, recebendo deputados no varejo, também levou a algumas "vitórias" do Planalto. A filha do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR), deputada Clarissa Garotinho, não estará em plenário no domingo alegando recomendação médica, já que está em final do período de sua gravidez. Coincidentemente, Garotinho esteve ontem no Planalto.

Dino comentou também sobre a situação do deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que é primeiro vice-presidente da Câmara e considerado aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e mudou sua posição de favorável para contrário ao impeachment nesta sexta. "Ele esteve comigo e Dilma e reiterou que há vários deputados do PP que vão seguir a linha de manutenção do apoio ao governo", afirmou Dino.

Além de Waldir, o governador maranhense anunciou que o ex-governador do Estado José Reinaldo Tavares também mudou seu voto e não vai mais apoiar o impeachment, embora não apoie o governo Dilma. "Obrigada pela força", não se cansava de repetir a presidente Dilma a cada apoiador que lhe levava uma boa notícia.

O vice-líder do governo na Câmara, Sílvio Costa (PTdoB-PE), que esteve no Planalto pelo menos três vezes nesta sexta-feira, garantiu que o governo "já ultrapassou" os 172 votos necessários para barrar a admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma. Costa afirmou que existem ainda 36 votos de deputados que estão indecisos, os chamados de "a trabalhar" nas planilhas do governo. "Estamos bem acima da margem de erro e hoje detectamos o desespero da oposição", assegurou.Estratégia. Em entrevista no Planalto, após nova reunião com a presidente Dilma, Costa considerou todos os levantamentos divulgados pela imprensa sobre a votação de domingo como "equivocados" e citou que a oposição está apresentando apenas um "movimento regimental" para aprovar o impeachment, ou seja, o voto sim. E, ao falar da estratégia do Planalto, informou: "o governo tem três movimentos regimentais a favor da democracia: o voto não, a abstenção e a falta. Esses três movimentos regimentais não são detectados". A aposta dele e do governo é que a oposição não terá os 342 votos necessários para aprovar a admissibilidade do processo.

O deputado evitou citar placares de votação, mas garantiu que no Acre governo e oposição terão quatro votos cada. "Talvez amanhã, para provar que oposição vem mentido, ou 10 minutos antes do discurso, eu comunique o número de votos", afirmou. Costa repetiu o discurso do governo e afirmou que na segunda-feira a presidente irá repactuar o País, e reinaugurar seu segundo mandato, após "a 're-reeleição' de domingo".

O governador do Maranhão disse também que a presidente Dilma resolveu cancelar o pronunciamento em rede de rádio e TV que faria nesta noite porque o governo preferiu, neste momento, centrar esforços nas negociações com os deputados. Segundo ele, essa foi uma posição externada pelo Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, na reunião com Dilma. "É mais importante dispender energia nisso", comentou Dino sobre o convencimento dos deputados. Segundo ele, não há necessidade de criar uma nova polêmica com o pronunciamento, que poderia ser questionado pela oposição. Ele ainda negou que o governo tenha cancelado a veiculação do discurso com medo de "panelaços".

Costa citou que pesquisas internas mostram que as ruas estão divididas sobre o impeachment a passou a atacar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chamado por ele de "criminoso" e o vice-presidente da República. Michel Temer (PMDB). "A diferença entre Temer e Cunha é que um foi pego e outro não. Temer está rasgando a história e vai entrar na história como o que tentou derrubar Dilma", disse Costa, sugerindo a renúncia do vice-presidente caso o processo de impeachment seja barrado.

Costa sugeriu também que Temer renuncie caso o governo vença a votação e indagado se, caso isso ocorra, como o governo lidaria com Eduardo Cunha em primeiro lugar na linha sucessória de Dilma, o parlamentar emendou: A gente vai tirar o Cunha. Aliás, o STF se quiser tira ele amanhã", concluiu.

Senador Álvaro Dias promete oposição a Temer

O senador Alvaro Dias em Brasília Considerado um dos grandes nomes da oposição no Congresso Nacional, o senador Álvaro Dias, que trocou o PSDB pelo PV no começo do ano, diz que não será aliado em eventual governo de Michel Temer. Ele afirmou que já nota uma "vontade incrível" por parte de integrantes do PMDB de "sentar na cadeira antes da hora" - embora ele próprio já considere o impeachment de Dilma Rousseff um fato consumado.

"Eu sou oposição e não pretendo mudar de lado. Se houver um governo da Dilma ou do Michel Temer, muda apenas o presidente, mas o governo é o mesmo", diz. Segundo ele o PMDB é sócio-majoritário da atual "massa falida". "Essa herança maldita foi oferecida ao povo brasileiro também pelo PMDB", disse, acrescentando que o partido ocupou o maior espaço no "latifúndio do aparelhamento brasileiro".

Questionado sobre a estratégia da oposição caso o impeachment seja aprovado na Câmara, ele diz que agirá com a maior eficiência possível, tentando motivar o Senado a decidir rapidamente. Segundo ele, isso deve acontecer depois do mês de maio. (Luís Lima, de Brasília)

domingo, 10 de abril de 2016

Incêndio em templo na Índia mata dezenas de pessoas

Incêndio provocou explosão que destruiu prédio do templo (Foto: ANI / via Reuters) Dezenas de pessoas morreram neste domingo (10) em um incêndio em um templo em Puttingal, no estado de Kerala, no sul da Índia, devido a uma explosão de material pirotécnico, informam as agências internacionais de notícias.
O número de mortos ainda é incerto, mas as agências estimas que o incêndio e a explosão mataram mais de 100 pessoas. Anteriormente, o número de 84 mortos foi informado pelo diretor-geral de polícia de Kerala, Senkumar, ao jornal “The Indian Express”. Cerca de 350 pessoas ficaram feridas, segundo dados do Ministério do Interior.
O primeiro-ministro da Índia, Narenda Modi, ordenou esvaziar o local com a ajuda de helicópteros. Modi pediu ao chefe do governo de Kerala, Oommen Chandy, "a transferência imediata via helicóptero" dos feridos em estado crítico.
O dirigente indiano expressou condolências às famílias dos mortos. "Arrasador e estremecedor", disse ele ao avaliar a situação.
Segundo o canal de televisão "India TV", a Força Aérea da Índia enviaou quatro helicópteros Me-17 e ALH a partir do estado vizinho de Tamil Nadu.De acordo com a imprensa local, o fogo começou às 3h30 (horário local, 19h de sábado, 9, em Brasília), devido a uma faísca que caiu sobre um prédio no qual se armazenavam os fogos de artifício, alguns deles muito potentes.
Testemunhas citadas pela agência “Ians” indicaram que as chamas provocaram uma enorme explosão, que estremeceu casas a 1 km de distância. Um prédio do templo desabou, segundo a BBCNo momento do incêndio entre 10.000 e 15.000 pessoas participavam da celebração e do espetáculo de fogos de artifício, diz a Efe. Soldados de equipes de resgate, bombeiros e policiais trabalham no local, de acordo com o governo indiano.
Os feridos foram levados para dez hospitais da região, e, segundo o canal “NDTV” o ministro do Interior de Kerala, Ramesh Chennithala, “todas as medidas” foram tomadas em Ernakulam e Thiruvananthapuram, capital do estado, para garantir o atendimento às vítimas.
Os feridos com queimaduras graves estão sendo tratados na Faculdade de Medicina do governo em Thiruvananthapuram, a capital do estado.
O incêndio é o pior nos últimos dez anos na Índia, após o que deixou 91 mortos em uma escola de Tamil Nadu em 2004, a maioria crianças.
Kerala tem em vigor uma lei que proíbe a utilização de material pirotécnico, mas as autoridades expedem permissões pontuais para seu uso em celebrações específicas. .

Prefeito Wilson Cota dá ordem de serviço para obras em Santana do Sobrado

DSCN4868   DSCN4853 o prefeito Wilson Cota (PMDB) deu ordem de serviços para construção de duas praças e pavimentação em Santana do Sobrado. A obra é fruto de uma emenda parlamentar do deputado federal, Lucio Vieira Lima (PMDB), via Caixa Econômica Federal no valor de R$ 657.000,00 ,           em um discurso confuso onde o prefeito tentou explica por que so conseguiu trazer a obra tão esperada pela comunidade. segundo Cota a crise finaceira que o pais atravessa fez com que ele tivesse muito dificuldade de faze uma boa gestão. o prefeito também falou do senário  politico da cidade de casa nova onde não perdeu a oportunidade de alfinetar a ex-prefeita Dagmar Nogueira dizendo que a mesma anda blefando dizendo que é pre-canidata sendo que a mesma segundo Cota esta impossibitada de ser canidata. um fato chamou atenção é sempre que o hoje prefeito wilson cota sempre foi muito aclamado pela população quando andava em santana do sobrado, e o que se viu ontem foi pouca gente no evento e menos ainda os que aplaudia o discurso do mesmo. mostrando esplixitamente a insatisfação com seu Governo.    

LULA E MARINA NO TOPO, TUCANOS NO POÇO EM 2018

imagem Se as eleições para a presidência da República fossem hoje, o ex-presidente Lula e a ex-senadora Marina Silva iriam para o segundo turno, conforme pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (9). Entre as opções do PSDB, todos têm queda na preferência do eleitorado: o senador Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o também senador José Serra.

Em três dos quatro cenários simulados, Lula e Marina estão empatados dentro da margem de erro. Na comparação com a pesquisa anterior, de março, a intenção de voto em Lula cresceu em três cenários, voltando ao patamar registrado em fevereiro, enquanto Marina se manteve estável em todas as simulações.

No cenário de uma disputa entre Lula, Marina e Aécio Neves, por exemplo, o ex-presidente tem 21%, a ex-senadora, 19%, e o tucano, 17%.

Entre meados de dezembro e agora, Aécio perdeu dez pontos percentuais em suas intenções de voto, enquanto Lula e Marina se mantiveram no mesmo patamar. Já Geraldo Alckmin, em um cenário alternativo, encolheu cinco pontos no mesmo período.

Na simulação com Lula, Marina e Aécio, o Datafolha também tem incluído o nome do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que aparece com 8% das intenções de voto. O percentual é o dobro do que o deputado registrava em dezembro do ano passado.

Em relação a um eventual governo Temer no caso de Dilma ser afastada, a pesquisa Datafolha mostra que apenas 16% acreditam que ele faria uma gestão ótima ou boa, mesmo índice do levantamento realizado em março. (247)

Procuradores veem indícios contra Dilma e Aécio

  .            Na semana em que a Câmara dos Deputados tem prevista a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem em sua mesa a definição sobre um pedido de investigação da petista por participar das tentativas de “tumultuar” as investigações da Lava Jato. O grupo de trabalho do procurador-geral se debruça nos próximos dias sobre o que chamam de “arquitetura” da investigação. Com todo o material nas mãos, a palavra final será dada por Janot, que se manteve afastado do gabinete na última semana em licença médica.

A previsão é de que ainda nesta semana sejam encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) os pedidos de inquérito com base na delação do ex-líder do governo Delcídio Amaral (sem partido-MS), que já estão em fase final na Procuradoria Geral da República (PGR). Procuradores que trabalham com Janot veem indícios para pedir investigações do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo. Delcídio citou nos depoimentos mais de 70 pessoas, com uma lista extensa de políticos. Nesta semana, devem ser encaminhados os pedidos de abertura de inquérito ou arquivamento de cada um dos 20 fatos separados pela PGR com base nos depoimentos.

Desde a delação do petista, procuradores já avaliam a possibilidade de um inquérito contra a presidente, o que ganhou força com o avanço da operação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chegada à PGR do material obtido nos grampos telefônicos.

Com relação à obstrução de investigações, a ideia é trazer para o campo criminal o parecer assinado pelo procurador-geral e encaminhado ao STF anteontem. Na peça, Janot diz que a nomeação de Lula para a Casa Civil por Dilma faz parte do “cenário” em que foram identificadas diversas tentativas de atrapalhar as investigações criminais da Lava Jato e vê no ato uma forma de “tumultuar” e atrasar a investigação. Por “coerência”, dizem fontes com acesso ao caso, a definição sobre o eventual inquérito de Dilma deve seguir a mesma premissa.

Para formarem o pedido de investigação, procuradores devem unir três materiais: a delação de Delcídio, as conversas por telefone interceptadas pela Lava Jato e as investigações em andamento sobre Lula. Na delação, Delcídio citou por exemplo uma investida do Planalto sobre o Judiciário para influir nas investigações com a suposta indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.

Lula. Já as implicações sobre Lula podem ser cruciais para os desdobramentos criminais com relação a Dilma. Isso porque o crime de embaraço às investigações prevê a tentativa de atrapalhar apuração de infrações penais que envolvam organização criminosa. É necessário apontar, portanto, que há indícios de envolvimento de Lula em uma organização criminosa para enquadrar o ato da presidente de nomeação do petista no crime de obstrução. Por isso, o material sobre o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, ambos supostamente pertencentes ao ex-presidente, serve de apoio à definição sobre Dilma.

Em março de 2015, Janot descartou a possibilidade de investigar a presidente mesmo após menção ao nome de Dilma por delatores. Pela Constituição, alegou o procurador, não cabe investigação de presidente da República durante o mandato por atos alheios ao período e à função de presidente. Esse tipo de preliminar, no entanto, já foi descartada na PGR no caso dos óbices à investigação.

O “cenário” das tentativas de obstrução é formado também por conversas laterais grampeadas que envolvem o Planalto, como diálogo em que o presidente do PT sugere ao então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, um pedido de ajuda para evitar a prisão de Lula.

Independentemente da definição do plenário do Supremo sobre a validade da posse de Lula, o ex-presidente será investigado perante a Corte. Os procuradores suspeitam da prática de crimes pelo petista que têm conexão com investigações que envolvem pessoas com foro privilegiado. É o caso da suspeita, levantada por Delcídio, de que Lula seja o mandante de pagamentos à família de Nestor Cerveró para calar o ex-diretor da Petrobrás.

Em delação, Delcídio afirmou que Lula solicitou ajuda para o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, que estaria implicado nas delações de Cerveró e do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Delcídio seria responsável, segundo declarou aos investigadores, por intermediar o pagamento de valores à família do ex-diretor da Petrobrás com recursos de Bumlai. Lula prestou depoimento a procuradores da Lava Jato em Brasília na quinta-feira sobre o assunto

Fama incomoda Moro, que perde apoio popular e é criticado por grampos de Lula

Episódio dos grampos de Lula causou estragos a Moro, que se disse incomodado com a fama O papel central adquirido pelo juiz federal Sérgio Moro, ao conduzir a Operação Lava Jato, já tem desenlaces que não agradam setores da opinião pública, e nem mesmo o próprio magistrado. Em palestra na noite desta sexta-feira (8) em Chicago (EUA), Moro afirmou que a fama que adquiriu, por conta de suas decisões na operação, o incomoda.

“Acho que existe foco equivocado na minha pessoa, que não acho muito positivo. Há uma certa personificação”, disse o juiz, em evento que reuniu 300 estudantes nos EUA e foi organizada pela Associação de Estudantes Brasileiros (Brasa, na sigla em inglês). Além de falar sobre o rótulo de ‘herói nacional’ e defender as manifestações populares contrárias à corrupção, Moro também falou sobre o impacto político de seus atos.

Para o juiz, “é importante não confundir Justiça com política”, negando que episódios como a liberação dos grampos telefônicos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff (ambos do PT) tenham sido norteada por influências fora do âmbito jurídico e legal – sobre este fato específico, ele preferiu não tecer comentários além dos que já são conhecidos. “O juiz profere sua decisão com base nas leis, nas provas, nos fatos. Minha preocupação é definir com base no processo. Não posso pensar no impacto político daquilo”, comentou, admitindo, porém, que “não acerta sempre”. “Vamos ser claros, eu também não acerto todas, mas sempre decido como um juiz deve definir, com a pretensão de estar decidindo conforme as leis”.

De olho em “longas férias” após a Lava Jato, Moro pontuou ainda que “foro privilegiado não é sinônimo de impunidade”, ao defender que já condenou três ex-parlamentares, além de funcionários da Petrobras e empresários, e deu a entender que nem sempre as críticas ao seu trabalho seriam justas. “Até vejo críticas ao meu trabalho, mas não sou um juiz investigador, não dirijo as investigações”, comentou.

Perda de apoio e novas críticas

Apesar de novos fatos terem vindo ao conhecimento público, o episódio dos grampos telefônicos de Lula e Dilma e a condução coercitiva do ex-presidente na Lava Jato continuam gerando opiniões e críticas.Segundo a revista Veja, na coluna Painel editada pela jornalista Vera Magalhães, uma pesquisa encomendada pela Federação Nacional das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apontou que o apoio a Moro, que nas redes sociais chegava a 90%, agora caiu para abaixo dos 60%.

Fora das redes sociais, novas crítica surgiram. Em entrevista publicada pelo UOL neste sábado (9), o ex-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que Moro “cometeu um erro grave” ao liberar os grampos. Segundo ele, a condução da Lava Jato tem sido “extremamente elogiável”, mas “sujeita a erros e equívocos”.

“Não consigo vislumbrar utilidade ou finalidade processual naquela divulgação. Qual a utilidade e qual a finalidade de se fazer aquela divulgação para aquela investigação em curso? Não vejo. E se não houve utilidade, não houve finalidade, a meu ver, essa divulgação não poderia ter acontecido e acho insuficiente o argumento de que a população teria o direito de saber quem são os seus governantes. Claro que a população tem o direito de saber quem são e o que fazem os seus governantes, mas o Judiciário não tem essa função de proporcionar acesso a conversações protegidas pelo sigilo”.
Gurgel assumiu a PGR em 2005, logo após o início da ação penal 470, que tratava do escândalo do mensalão. Passados 11 anos, ele não se diz surpreso com o fato personagens daquele momento terem sido implicados também na Lava Jato, e revelou que “sempre causou perplexidade o fato de o presidente (Lula) não ter conhecimento daquilo”.

Em prol da Lava Jato, Gurgel afirmou ainda acreditar que, mesmo com uma troca de governo, a operação deve prosseguir sem influência política.

“Acho que as instituições do Estado brasileiro, o Ministério Público, a magistratura, já atingiram um certo nível de amadurecimento tal que a Lava Jato aconteceria em qualquer governo. Ela realmente aconteceria seja num governo do PSDB, ou outro (...). Eu diria que é praticamente impossível evitar a continuidade e prosseguimento de investigações como a Lava Jato”.

Governo espera ‘novas revelações’ de Moro

Na semana em que, tanto a comissão quanto o plenário da Câmara, devem votar o relatório do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o Planalto já aguarda a possibilidade de novas revelações da Lava Jato tumultuarem ainda mais o ambiente político. Entre os ocupantes do Palácio do Planalto há a certeza de que o juiz Sérgio Moro prepara uma ofensiva para atingir o governo.

Além de vazamentos relacionados a delações premiadas, há o temor de que Moro deflagre uma nova fase da operação e decrete a prisão de dois nomes que já tiveram bastante proximidade com a presidente: os ex-ministros da Casa Civil Antônio Palocci e Erenice Guerra. Segundo a delação premiada dos executivos da empreiteira Andrade Gutierrez que veio à tona esta semana, Palocci e de Erenice teriam ajudado a estruturar o esquema de propina na obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Os empresários apontaram uma pagamento de cerca de R$ 150 milhões em propina. O valor seria referente a um acerto de 1% sobre contratos. O dinheiro teria como destino o PT e o PMDB e agentes públicos ligados aos dois partidos. Palocci foi o coordenador da campanha de Dilma em 2010. Erenice, por sua vez, era braço direito da presidente e assumiu a Casa Civil quando Dilma deixou o ministério para se candidatar à Presidência pela primeira vez.

Os empresários da Andrade também afirmaram que o dinheiro doado legalmente às campanhas de Dilma em 2010 e 2014 teve origem em contratos superfaturados que foram fechados com empresas estatais, como a Petrobras. fonte:msn