A já anunciada redução das vazões dos reservatórios de Sobradinho (BA) e
Xingó (SE), que passaram de 1.300m3/seg para 1.100m3/seg, acarretará,
de acordo com o geólogo, professor e pesquisador Luiz Carlos Fontes, da
Universidade Federal de Sergipe – UFS, inúmeros prejuízos ao meio
ambiente e usuários das águas do rio São Francisco. Afetará
principalmente os moradores do Sub-Médio e Baixo São Francisco, que
abrangem os estados de Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
“Essa medida reduzirá cerca de 1/3 das águas do rio, prejudicando os
pescadores, a navegação, os irrigantes e, em especial, o ecossistema
aquático. Implicará, de modo imediato, em danos no ciclo de reprodução
dos peixes, no aparecimento de bancos de areia, devido ao assoreamento
que hoje existe, além de dificultar a captação da água e a
navegabilidade do rio, com o estreitamento do canal”, disse o professor.
Para ele, que foi secretário executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica
do Rio São Francisco – CBHSF e hoje é membro de uma câmara técnica da
entidade, essa determinação da Agência Nacional de Águas – ANA irá
atender apenas às necessidades do setor elétrico. “A solicitação só leva
em consideração os interesses do próprio setor elétrico. Não é
demostrado, por parte deles, nenhuma preocupação, a longo prazo, com o
ambiente aquático, com os seres vivos e com os usuários que dependem das
vazões”, afirmou.
Copa do Mundo- Segundo Luiz Carlos Fontes, essa foi a primeira vez na
história que o setor elétrico solicitou a redução das vazões mínimas -
estipulado legalmente em 1.300m3/seg - para o período seco (com baixa
intensidade de chuvas), contrapondo-se aos anos anteriores, quando eram
realizadas as reduções em períodos úmidos (alta intensidade de chuvas).
“Por trás de tudo isso, existe um pano de fundo, que é a preparação do
país para a Copa do Mundo, diminuindo as possibilidades de problemas na
geração de energia hidrelétrica. Não foi, de maneira alguma, pensando no
retorno da sazonalidade natural do rio”, comentou o professor.
Em alusão ao ofício que foi encaminhado na última semana pelo CBHSF à
Agência Nacional de Águas – ANA, propondo a criação de uma ampla
comissão para avaliar os prejuízos e impactos com as reduções, Fontes
reforça: “É necessário dimensionar os impactos
sócio-econômico-ambientais decorrentes da redução de vazões. Temos que
ser contra um único usuário (setor elétrico) praticar as vazões que lhe
convêm”. Luiz Carlos Fontes observa que em nenhum momento o CBHSF foi
alertado sobre a redução das vazões pelos órgãos responsáveis. “Além do
Ibama e da ANA, que já autorizaram a medida, o Comitê do São Francisco
também tinha o direito de decidir sobre a redução da vazão, mas isso não
aconteceu. Ficamos sem poder de decisão”, lembrou.
Assessoria de Imprensa do CBHSF
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