O número de pessoas que votariam em
Eduardo Campos para assumir a Presidência é menor do que o índice de
satisfação com a sua administração – 75%, sendo 28% que a consideram
excelente e 47% como boa. Do grupo que considerou a gestão como
“excelente” (28%), 63% confirmaram o voto no pernambucano. Mas entre os
47% que avaliaram o governo como “bom”, apenas 32% disseram que votariam
em Eduardo, enquanto 40% declararam voto em Dilma.
De acordo com o cientista político e
professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Adriano
Oliveira, os números sugerem não só que a disputa será “dura” como
também apontam qual será um dos principais desafios do governador até
outubro de 2014. “O grande desafio será transformar seu capital
administrativo em capital eleitoral. Fazer com que as pessoas que
aprovam sua gestão também votem nele. No caso de Dilma, ela precisa
aumentar suas intenções de votos num Estado e numa cidade onde haverá um
candidato extremamente bem avaliado. A pesquisa mostra claramente que a
eleição será muito difícil”, pondera.
A gestão do governador foi avaliada como
“ruim” ou “péssima” por 3% dos entrevistados e enquadrada como
“regular” por 19%. A proporção entre a avaliação do governo e as
intenções de voto em Eduardo podem crescer, de acordo com o cientista
político, quando sua candidatura à Presidência for oficialmente
confirmada. “Apesar das suas movimentações, os eleitores ainda não têm
certeza se ele é candidato, de fato”, diz. A pesquisa ainda revela que
55% dos recifenses consultados acham que ele deve participar da disputa
presidencial, enquanto 27% opinaram que não deveria. O curioso é que do
grupo favorável à candidatura do governador, 33% afirmaram que não
votariam nele. “Não há contradição nisso. Só reforça que a interpretação
do comportamento do eleitor não é tão simples como os dados sugerem.
Parte do eleitorado aprova a gestão do governador, quer que ele saia
candidato, mas não vota nele”, analisa Adriano Oliveira.
À margem da polarização entre Dilma e
Eduardo estão os presidenciáveis Marina Silva e Aécio Neves. No primeiro
caso, segundo o economista e membro do conselho científico do IPMN
Maurício Romão fica evidente que o capital político conquistado pela
ex-integrante do Partido Verde na eleição de 2010 se diluiu. Um dos
motivos, de acordo com Romão, é a ascensão política de Eduardo Campos.
Em 2010, por exemplo, Marina obteve 102.142 votos (33,63%) no Recife,
chegando em segundo lugar. Em relação a Aécio, o resultado mostra que
ele ainda é uma figura desconhecida da população recifense.
METODOLOGIA
Nos dias 1º e 2 de abril, a pesquisa
JC/IPMN ouviu 816 entrevistados no Recife, a partir de um plano de
amostragem estratificada. O nível de confiança do estudo é de 95%.FONTE: JC
Online
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