domingo, 9 de dezembro de 2012

Na era da internet, vender a própria virgindade ganhou status inusitado, mas a troca do sexo por dinheiro é uma forma de prostituição, avalia educadora sexual


Anúncios de leilões polêmicos agitaram a internet e repercutiram na sociedade brasileira nos últimos meses. Duas garotas colocaram a virgindade à venda. Depois de Catarina Migliorini, de 20 anos, cuja primeira relação sexual foi arrematada por pouco mais de R$ 1,5 milhão (por um japonês, no fim de outubro), agora é a vez da estudante Rebeca Bernardo Ribeiro, de 18 anos (foto ao lado), tentar a negociação em vídeo na rede.

“Eu me encontro em grande dificuldade financeira”, justificou a moradora de Sapeaçu (BA), que sonha em ser modelo e se decidiu pelo vídeo após saber da história de Catarina. O dinheiro, diz ela, serviria para ajudar no tratamento da mãe, de 59 anos, que sofreu dois acidentes vasculares cerebrais, e para melhorar de vida.

Uma fonte próxima à jovem disse à reportagem que ela está arrependida, mas à Folha Universal Rebeca afirmou ainda não estar decidida. “O leilão está suspenso por enquanto, até eu analisar o acordo com uma emissora de TV que prometeu me ajudar”, disse. 

A estudante, que conta ter recebido lances de R$ 35 mil e R$ 70 mil, retirou do ar o vídeo no qual dizia encarar o leilão apenas como um “negócio”. Embora afirme não ter noção da repercussão do caso, Rebeca diz ser alvo de piadinhas na rua. “Me jogam moedas no rosto, mas não adianta revidar.”

No caso de Catarina, a perda da virgindade faz parte do documentário australiano “Virgins Wanted” (Procuram-se Virgens), que narrará a história de dois jovens antes e depois da primeira relação sexual (dela e do russo Alexander Stepanov, cujo lance de R$ 6 mil partiu do Brasil). A primeira vez da moça deve ocorrer a bordo de um avião durante uma viagem, sem direito a beijo ou fantasia do comprador. Não haverá filmagem do ato e o uso de camisinha será obrigatório.Estratégia de mídia

“É uma banalização do sexo, do corpo, da intimidade, desvalorização da própria pessoa”, avalia a ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do Ambulatório de Sexualidade Feminina de Universidade Federal de São Paulo. “É uma mudança de valores, na qual a sociedade parece dar mais importância ao dinheiro do que à própria escolha.”

Para a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Centro de Estudos da Sexualidade Humana - Instituto Kaplan, não se trata de mudança de valores. “Antigamente as virgens eram leiloadas no cabaré. Com a internet, só mudou a tática”, analisa. “Trata-se de uma forma de prostituição disfarçada.”

Segundo ela, nenhuma garota sem intimidade anterior com um homem vai se colocar numa situação de leilão, exceto se estiver sendo pressionada. “Uma garota que nunca teve intimidade sexual tem seus receios, medos naturais, valores, e suas fantasias. Na verdade, isso é estratégia de mídia. Elas querem aparecer e encontraram no sexo algo que dá ibope, um canal para divulgar a imagem.”

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