domingo, 30 de dezembro de 2012

Mais críticas do que elogios nos dois anos da gestão Tirone no Palmeiras


Presidente do Palmeiras entre 2010 e 2012, Arnaldo Tirone vê seu mandato terminar de forma melancólica

30 de dezembro de 2012 | 20h 40
Daniel Akstein Batista - O Estado de São Paulo
SÃO PAULO - Com mais três semanas de mandato pela frente, o presidente Arnaldo Tirone diz saber no que errou e acertou desde que assumiu o Palmeiras, em janeiro de 2011. São quase dois anos em que as críticas foram maiores do que os elogios. Um título e um rebaixamento. “Até a conquista da Copa do Brasil, eu seria reeleito. Mas o termômetro é com o que acontece nos últimos dois meses, e caímos no Brasileiro”, disse ao Estado.
Tirone deixa o cargo bastante criticado - Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão
Tirone deixa o cargo bastante criticado
Em 21 de janeiro, o Palmeiras conhecerá seu novo presidente. Dois dias antes, os associados devem confirmar em uma Assembleia Geral o que o Conselho Deliberativo já votou a favor: que as próximas eleições (de 2015, provavelmente) serão pelo voto direto, dos sócios. Tirone desistiu da reeleição agora, dizendo não ter mais clima e sabendo que perderia fácil. Já não tem mais o apoio de quase ninguém no clube.
Tirone assumiu um Palmeiras com dívidas, e o entregará com praticamente o mesmo cenário ao futuro presidente - ele já antecipou, por exemplo, cerca de 50% da verba que entraria no ano que vem. Os presidenciáveis Paulo Nobre e Décio Perin sabem bem da atual situação financeira do clube.
“Para falar a verdade, achava que ia ser ainda mais difícil”, comentou Tirone sobre como foi os seus dois anos de mandato. “Cumpri com a minha missão, não fugi em nenhum momento e fiz o meu melhor, mas não sou mágico. Deleguei bastante funções. Talvez meu erro possa ter sido esse, talvez pudesse ter sido mais centralizador. Mas aí iam falar que eu era um ditador.” Para Tirone, o rebaixamento no Brasileiro “foi um castigo”. “Foi um acidente, não tínhamos um time para cair.”
O dirigente tem sido bastante criticado praticamente desde que assumiu o clube. Primeiro, pela demora nas contratações. “Realmente pouco contratamos em 2011, mas pelo momento que vivíamos, de cortes (de gastos)”, se explicou. “Mas em 2012 ousamos mais, trazendo o Barcos, o Henrique e o Wesley.”
Tirone tenta justificar algumas críticas que recebeu. “Assumi o clube sem estádio e sem o contrato da Arena estar assinado. Com problemas estruturais e um passivo complicado.”
Na sua gestão, Tirone teve de lidar com vários egos e confusões. Como no episódio em que Kleber reclamou da diretoria, por não defender o volante João Kleber, que havia brigado com torcedores. O presidente, no meio de 2011, não tomou atitude e o atacante deixou o clube meses depois.
Por várias vezes, Tirone viu também o então técnico Luiz Felipe Scolari entrar em choque com o vice-presidente Roberto Frizzo. Foi bastante pressionado para tomar alguma posição, mas sempre manteve os dois no poder. Felipão foi um dos responsáveis por levar o Palmeiras ao título da Copa do Brasil, mas não foi capaz de aguentar a má campanha do time no Brasileiro deste ano, sendo demitido em 13 de setembro.
A conquista da Copa do Brasil, inegavelmente, estará no currículo de Tirone. Assim como ele se orgulha por nunca ter deixado o salário do elenco atrasar, o que vinha acontecendo constantemente em gestões anteriores.  Feitos, no entanto, que parecem pequenos aos seus críticos, quando comparado com o rebaixamento e a outras ações. A falta de investimento no time de futebol com certeza foi a maior reclamação dos torcedores, aliado com a manutenção de alguns jogadores que já não tinha mais clima para ficar por lá. Muitos conselheiros e diretores reclamam que Tirone sempre foi muito passivo, demorando para tomar qualquer decisão. Dizem que demorou até para desistir oficialmente da reeleição.
Como o próprio Tirone reconhece, seu mandato ficará marcado pelos dois últimos meses, pelo rebaixamento no Brasileiro. “Perdemos a guerra do Brasileiro, e o general Tirone tem de ter a consciência que teve sua parcela”, disse, assim mesmo em primeira pessoa. “Não é o Tirone quem escala o time, mas é quem paga os salários de todos. A diretoria trabalhou bastante, mas todos sabem que a própria diretoria desanimou. Mas o Tirone é forte e está com a consciência tranquila.”
BRIGAS E GAFES. A cena do presidente na praia logo no dia seguinte ao rebaixamento no Brasileiro é uma das que marcaram o seu mandato. O empate por 1 a 1 com o Flamengo havia decretado a queda alviverde, e Tirone aproveitou que estava no Rio para “tirar o estresse” na praia do Leblon, como ele mesmo falou depois.
O fato só piorou a sua fama no clube e com os torcedores. Mas Tirone já havia entrado em outras confusões com conselheiros e, em uma ocasião, foi acusado de chutar um deles após uma grave discussão. Ele chegou também a reclamar de Valdivia em 2011, dizendo que o chileno era muito baladeiro e que ele "só queria cair na noite". 

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